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25/06/2009

Rússia volta a comprar carne suína de Santa Catarina

Duas empresas catarinenses estão autorizadas a retomar as exportações.

Duas empresas de Santa Catarina estão autorizadas pelo governo russo a retomar a exportação de carne suína ao país.

Depois de três anos de embargo, os frigoríficos Pamplona, de Rio do Sul, no Vale do Itajaí, e Seara Cargill, de Seara, no Oeste, reabrem o caminho da exportação ao mercado da Rússia. O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz no final da tarde desta quarta-feira.

Apesar de tímida, a reabertura do mercado russo a duas plantas industriais deve fazer com que outros frigoríficos conquistem também o credenciamento, dizem as entidades ligadas à suinocultura catarinense.

Para o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Wolmir de Souza, a retomada da exportação retira um questionamento latente desde o fechamento do mercado à carne suína catarinense, em dezembro de 2005. Ele acredita que a reabertura do mercado russo provocará uma reação nos preços e um equilíbrio na oferta e procura da mercadoria.

— A expectativa é que novos frigoríficos sejam reabilitados a exportar a carne suína— afirmou Souza.

O vice-presidente da Federação de Agricultura de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, disse que após três anos e meio de embargo, criou-se uma expectativa muito grande em torno da reabertura do mercado. Ele esperava que o retorno da exportação fosse maior e abrangesse a Copercentral Aurora, que envolve cerca de 70 mil produtores rurais.

— É um avanço a ser comemorado, obviamente, mas a restrição a apenas duas plantas industriais nos frustra. Esperávamos que a exportação abrangesse outras unidades— disse Barbieri.

O diretor de suplementos da Pamplona, Jacir Pamplona, comemorou a retomada da exportação estadual. Ele acredita que a reabertura do mercado russo será paulatina a outros frigoríficos catarinenses.

— Estou satisfeito e muito otimista. Outras empresas devem começar a exportar em breve.

Em nota, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura atribuiu a retomada à relação de confiança entre os serviços veterinários do Brasil e Rússia, tendo em vista que, pela primeira vez, a aprovação ocorre sem a inspeção de técnicos russos in loco (no local).

Embargo

O embargo à carne suína catarinense foi determinado pela Rússia após a ocorrência de focos de febre aftosa no Paraná em 13 dezembro de 2005.

O país manteve o embargo mesmo depois de Santa Catarina obter, em 2007, o reconhecimento da Organização Internacional de Epizootias (OIE) de estado livre da doença sem vacinação.

Em março deste ano, a Rússia sinalizou para o fim do embargo. Na ocasião, o Ministério da Agricultura do Brasil enviou uma relação com os frigoríficos catarinenses considerados habilitados à exportação.

As autoridades russas analisaram o documento e solicitaram uma auditoria nos frigoríficos e propriedades rurais do Estado. O resultado da inspeção foi favorável à retomada dos negócios com Santa Catarina.

Produção

Em 2005, ano do embargo russo à carne suína catarinense, o Estado produzia 700 mil toneladas do produto, sendo 281 mil toneladas destinadas à exportação.

Na época, a Rússia era o principal comprador de carne suína catarinense. O país, que consome 2,3 milhões de tonaledas do produto por ano, importava 200 mil toneladas de Santa Catarina.

No ano seguinte ao embargo, a secretaria de Estado da Agricultura verificou queda nas exportações. De acordo com diretor de Qualidade e Defesa Agropecuária de Santa Catarina, Roni Barbosa, as exportações do Estado reduziram de 281 para 172 mil toneladas.

A queda também foi registrada em 2007 e 2008, quando foram exportadas respectivamente 170 mil e 149 mil toneladas de carne suína para Ucrânia, Moldávia, Hong Kong, Cingapura, Albânia, Argentina e Uruguai.


Fonte: Diário Catarinense - Por Francine Cadore.


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