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16/03/2009

Ronda Transal - São Paulo

Para Munhoz, obra do anexo é 'aberração'

Eleito presidente da Assembleia Legislativa após amplo acordo, o ex-líder do governo Barros Munhoz (PSDB), 64 anos, assume o comando da Casa por dois anos com a promessa de “racionalizar” os gastos. Ironicamente, seu maior desafio será concluir o anexo de gabinetes, obra que definiu como “uma aberração”. Confira entrevista exclusiva ao JT:

O sr. está herdando a polêmica obra do anexo de gabinetes, que está dois anos atrasada e 158% mais cara. Vai concluir o edifício sem novos aditamentos?

Só agora vou me inteirar dos assuntos da presidência. Vou entrar em contato com a CPOS (responsável por gerenciar a obra), tomar conhecimento do contrato e saber como estou recebendo a obra. A partir daí vou tomar providências. Uma coisa posso assegurar: a obra será concluída pelo preço justo e da melhor forma possível.

A CPOS afirmou que há R$ 1,4 milhão em falhas no projeto original cometidas pela construtora CVP, que foi comprada por duas outras empresas que não pretendem assumir o serviço. Como o sr. vai resolver esse imbróglio?

Sinceramente, agora não tenho condições de responder absolutamente nada sobre esse assunto.

Como líder do governo, o sr. foi um dos principais articuladores para barrar CPIs sobre denúncias graves contra o governo, como no Metrô, CDHU e Parasitas. Como vai proceder agora?

Serei um presidente da Casa e não do governo e vou dar seguimento a todas as CPIs propostas, sempre respeitando o regimento da Casa.

A oposição acusa o governo de engavetar projetos de decretos legislativos de pareceres do Tribunal de Contas do Estado sobre contratos julgados irregulares para impedir apuração do Ministério Público. O que o sr. pretende fazer a respeito?

É absurdo a Assembleia ter a pauta que tem. Vou levar a voto todos os PDLs o mais rápido possível. Não há razão para não votar.

O sr. é a favor da divulgação das notas fiscais e CNPJs das empresas contratadas pelos deputados com a verba indenizatória?

Totalmente a favor. Acho que o dinheiro público tem de ser transparentemente divulgado.

O sr. vai implementá-la?

Não vou administrar sozinho. Tenho mais companheiros de Mesa e o colégio de líderes que sempre têm de ser ouvido.

O sr. é a favor da incorporação da verba indenizatória ao salário dos deputados?

Isso é absurdo. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não é justo o deputado que mora em Presidente Prudente ganhar o mesmo salário do que mora em São Paulo. Ele tem gastos para exercer o mandato que um deputado da capital não tem. Acho que a verba indenizatória, inclusive, tem de ser revista, ser mais justa do que é hoje, mas tem de existir.

A verba na Assembleia (R$ 19,8 mil por mês) é maior, inclusive, que a da Câmara dos Deputados (R$ 15 mil). Quando o sr. diz revista, ela pode ser reduzida?

Talvez. Acho que ela tem de levar em conta a despesa que um deputado tem em função, inclusive, da distância de onde ele mora (em relação à capital). Podemos fazer escalonamento, com três faixas (de gastos), por exemplo, de acordo com a distância e o gasto efetivo de deputado.

O sr. já foi prefeito, subprefeito, secretário e ministro. O sr. será candidato a quê em 2010?

Provavelmente deputado federal.

Qual o seu candidato à Presidência: Serra ou Aécio?

É hora de o governador Aécio Neves fazer por São Paulo o que São Paulo fez pelo então governador de Minas Tancredo Neves. Ele devia usar sua liderança em Minas para ajudar a levar o José Serra, que é o mais preparado neste momento para governar o Brasil.

E ao governo paulista?

Pelo maior respeito que tenho pelo (ex) governador Geraldo Alckmin. Entrei no PSDB pelas mãos dele e sou grato a ele. Mas acho que o momento agora é do grande político que se afirma no cenário estadual, o Aloysio Nunes (Ferreira, secretário da Casa Civil). Mas acho cedo para discutir isso. O Serra é quem vai conduzir isso.

Qual será o seu maior desafio?

Modernizar o Parlamento e resgatar a dignidade da atividade parlamentar. A opinião pública pensa que o deputado não faz nada. Quero restituir minimamente o poder do Legislativo. Em especial na forma de se fazer orçamento; muita coisa não cabe à Assembleia.

O que falta?

Dar poder aos Legislativos. Para fazer o que os Legislativos podem fazer hoje, seria mais barato e correto fechar a Mesa. Mas todos os projetos que vieram do Executivo foram melhorados. Provamos que discussão aprimora projetos.

O que o sr. quer dizer com modernizar o Legislativo?

Fisicamente. Isso aqui é pardieiro. Há banheiros fedendo. Precisamos de assessoria mais qualificada. Assessor aqui é advogado. Mas para debater com Metrô, precisa ter engenheiro, de médico para debater com a Saúde. Nossa estrutura é obsoleta. Isso aqui é poder de faz-de-conta.

Essas mudanças não demandariam custo extra?

Não queremos gastar mais com salário e subsídio de deputado. O que não pode é gastar mal.

O anexo não está na contramão disso tudo?

Sinceramente, não estou fazendo crítica a ninguém, mas obra de quatro anos para mim nunca existiu. Na administração pública tudo é complicado. Agora, que isso é, realmente, uma aberração, é. Até por conta da reforma.


Fonte: O Estadão


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