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10/02/2009

Ronda Transal - São Paulo

Professor nota zero vai dar aula

Dos cerca de 3.000 professores temporários que zeraram na “provinha” realizada pela rede estadual de ensino, quase 1.500 estão com aulas garantidas em 2009.

A informação foi divulgada ontem pela secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, em resposta à exclusão da prova de seleção dos temporários do processo de atribuição (distribuição) de aulas que ocorre hoje em todo o Estado.

“Entre 3.000 e 3.500 zeraram. Desses, quase 2.000 eram professores novos e quase 1.500 temporários antigos. Esses estão aqui há 30, 20 anos, participam de concurso público e não passam. Tiraram zero, vão estar na frente na atribuição e vão pegar aula”, disse a secretária, que cogita elaborar um programa de capacitação especial para quem teve baixo desempenho na provinha, no decorrer do ano.

Em decisão liminar (provisória) que deu ganho de causa à Apeoesp, sindicato dos professores da rede, a juíza da 13ª Vara da Fazenda Pública, Maria Gabriella Pavlopoulos Spaolonzi, determinou que os resultados do exame não sejam computados na distribuição das aulas aos docentes da rede, o que deve ser feito obedecendo à classificação por tempo de serviço e titulação, regras sempre utilizadas no processo. A briga judicial entre o governo e a Apeoesp atrasou de 11 para 16 de fevereiro o início do ano letivo para 5 milhões de alunos da rede.

“Vamos iniciar com os critérios antigos. Se não fizermos a atribuição a partir de amanhã (hoje), teremos dificuldades para o início das aulas”, diz a secretária Maria Helena. “Mas não desistimos. Vamos lutar para mostrar que a prova é o critério mais importante para selecionar os melhores professores e melhorar a qualidade do ensino.”

Se os resultados da prova pudessem ser utilizados, a Secretária da Educação diz que seria possível renovar metade dos 100 mil temporários, contratados como alternativa ao déficit no quadro de efetivos. Um temporário ganha cerca de R$ 1.500 de salário-base (R$ 1.800 com gratificações) para dar aula da 5ª série ao ensino médio. A rede tem 250 mil professores.

Para a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a decisão da Justiça foi sensata porque houve erros na organização e execução do exame. A sindicalista acredita que o grande número de notas zero ocorreu por falhas da secretaria, pois professores que fizeram a prova constaram como ausentes. A Apeoesp diz não ser contrária a provas, mas sim a essa avaliação de 17 de dezembro, que teve 214 mil inscritos.

“Não somos contra a avaliação. Sempre lutamos por concurso. É a forma mais justa de ingressar na carreira e você seleciona os melhores. Não admitimos esse grande número de professores em caráter temporário. Falam de qualidade, mas que qualidade é essa sem concurso público?' O último concurso para professor foi em 2006. O governo diz ter projeto para efetivar 75 mil docentes, em estudo na Casa Civil.


Fonte: Fábio Mazzitelli


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