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30/03/2009

Ronda Transal - Santa Catarina

Política e jogo ilegal têm ligação em Brusque

A suposta exploração de jogo ilegal teria interferido na política de Brusque, no Vale do Itajaí, conforme o inquérito policial da Operação Arrastão, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal (PF).

Em um trecho do documento, o delegado regional da Polícia Civil Ademir Braz de Souza vincula a reeleição para o segundo mandato de vereador na cidade ao apoio recebido de Aleander Müller, apontado pela PF como líder do suposto esquema.

Em uma ligação interceptada pelos investigadores em 13 de outubro do ano passado, oito dias depois da eleição, Aleander disse que não poderia pagar um policial militar porque estava "apertado porque foi muito na campanha".

Além da suspeita de ligação entre jogo ilegal e política, o inquérito da PF mostra que o delegado tinha respeito de todos os participantes do esquema que se referiam a ele como "o homem".

O poder era tamanho que o dono de um bar condicionou a instalação de caça-níqueis no estabelecimento que possuía ao aval de Ademir. Ele afirmou que, somente depois da permissão do delegado, permitiria o funcionamento das máquinas.

Outro episódio que mostraria a influência do delegado foi uma reunião organizada por ele com bingueiros, como são chamados os donos de estabelecimentos com caça-níqueis. Na pauta de discussões, assuntos referentes ao esquema.

Para ilustrar proximidade entre Ademir e Aleander, os investigadores incluíram no inquérito policial uma ocasião em que veículos com peças para máquinas foram apreendidas em Itapema. O suposto líder do esquema procurou o delegado, que se prontificou a ligar para a Delegacia de Itapema para tentar liberar os equipamentos.

O promotor Sidney Dalabrida disse que investigação da PF foi brilhante e as provas são robustas. Por isso adiantou que vai denunciar todos os 21 presos na operação. Declarou que os crimes cometidos foram corrupção passiva, concussão, peculato e violação de sigilo funcional.

O que diz o delegado

O advogado Ricardo José de Souza, que defende Ademir Braz de Souza, disse que não fica provado no inquérito policial que o apoio de Aleander à eleição do cliente em Brusque foi financeiro. Ele sugeriu que a ajuda ocorreu como um cabo eleitoral que pede votos ao candidato que acredita ser o mais qualificado.

Sobre o fato de o dono de um estabelecimento condicionar a instalação de caça-níqueis ao aval de Ademir Braz de Souza, o defensor afirmou que não conversou com o cliente a respeito da situação. Eles devem falar sobre o assunto nesta segunda.


Fonte: Diário Catarinense


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