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16/03/2009

Ronda Transal - R. Grande do Sul

Universidade deve lançar campanha para incentivar doação de cadáveres

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) deverá lançar, nas próximas semanas, uma campanha pública para estimular a doação de corpos humanos à ciência.

A iniciativa deverá aproveitar o interesse criado pela exposição Corpo Humano – Real e Fascinante, em andamento no Centro de Eventos BarraShoppingSul.

Nas principais faculdades de Medicina da Capital, os voluntários que destinam o organismo para pesquisa após a morte garantem a maior parte do material de estudo nas aulas de anatomia – deixando em segundo plano cadáveres de indigentes entregues pelo Departamento Médico Legal (DML). Isso é importante, porque corpos de voluntários costumam apresentar melhores condições, permitindo mais qualidade nos estudos.
No Departamento de Ciências Morfológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), há 73 pessoas cadastradas como potenciais doadoras de seus corpos para fins científicos. Anualmente, existe, em média, um cadáver enviado pelo DML contra três ou quatro doações.

– A maior parte dos voluntários é formada por mulheres, geralmente de mais idade e origem humilde – afirma o chefe do departamento da UFRGS, Geraldo Pereira Jotz.

Esse é o caso de Maria Zilda Felin, de São Sepé, morta há três meses. Apaixonada por estudar, concluiu o Ensino Médio depois dos 60 anos, quando os filhos já estavam formados. Pensou em fazer graduação, mas desistiu ao cogitar que poderia tirar a vaga de um jovem. Preferiu estudar como autodidata, e leu, principalmente, sobre psicologia. Com o objetivo de contribuir para o ensino de anatomia, ingressou na UFRGS, seu antigo sonho, depois de morrer.

– Nós ficamos orgulhosos com essa decisão dela, uma pessoa que sempre se interessou pela educação – conta o filho mais velho, Paulo Felin, 59 anos.

Na UFCSPA, as doações também são maioria em relação aos indigentes. No ano passado, foram recebidos três corpos de voluntários, contra nenhum remetido pelo DML. Para aumentar o número de interessados, a entidade deverá promover uma campanha de conscientização por meio da distribuição de folhetos informativos. A campanha, elaborada no ano passado, foi aprovada pela instituição e começará a ser colocada em prática. No final do ano, a intenção da universidade é montar sua própria exibição aberta ao público.


Fonte: Marcelo Gonzatto - Zero Hora


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