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05/03/2009

Ronda Transal - Paraná

Patrulha Escolar atendeu 1.197 brigas entre alunos em 2008

Quase 1,2 mil casos de agressões entre estudantes, dentro ou nas proximidades das escolas, foram atendidos pela Patrulha Escolar no ano passado, no Paraná. Esse número não equivale ao total de casos, já que muitas vezes eles não chegam a ser denunciados. Em escolas municipais e particulares, a Patrulha Escolar só intervém quando é chamada pela direção. Nesta semana, mais um caso de violência entre estudantes foi registrado no estado. Um menino de 12 anos esfaqueou outro de 13, na saída da escola, em Sarandi, no Noroeste.

Para a educadora da Universidade Federal do Paraná Araci Asineli da Luz, a estatística é preocupante, mas é preciso que se tenha em mente quem é o sujeito agressor e as formas de inibir o problema. “É importante sinalizar que os números estão crescendo, mas temos que enxergar como indicadores para uma mudança de comportamento.”

Na visão da coordenadora estadual da Patrulha Escolar pela Secretaria da Educação, Margarete Maria Lemes, os casos são pontuais. Para ela, é preciso avaliar o comportamento do adolescente. “É imaturo dizer que ele resolve seus problemas unicamente pelas vias de fato.” Segundo levantamento de 2008, das 206.715 ocorrências atendidas pela Patrulha Escolar Comunitária em todo o estado, 1.197 diziam respeito a caso de agressões entre alunos, de leves até mais graves.

O ocorrido em Sarandi ilustra os casos de violência exacerbada. Um aluno da 7ª série foi esfaqueado nas costas por um colega de turma, no Colégio Estadual Panorama, no Jardim Panorama. O pai da vítima registrou queixa na delegacia do município. De acordo com a polícia, os envolvidos e seus responsáveis serão ouvidos e o caso será investigado. O menor que deu a facada será encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude. O menino ferido levou alguns pontos, mas já está em casa. A escola vai pedir reforço na segurança do local.

Subnotificação

Em Curitiba, na praça que fica em frente ao Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Muma), perto do terminal do Portão, brigas entre alunos das escolas próximas são comuns. Moradores da região contam que já viram estudantes do Colégio Padre João Bagozzi, da Escola Estadual Pedro Macedo e do Colégio Adventista se agredirem fisicamente no horário do almoço. Vizinhos já presenciaram até uso de canivete. Segundo o porteiro de um dos prédios que fica de frente para a praça, Altair Gonçalves, chamar a polícia nunca resolve, porque quando ela chega, a confusão já acabou. As brigas costuma envolver, em média, 50 alunos, entre meninos e meninas. Altair conta que na última vez, dois meninos saíram sangrando.

As escolas Bagozzi e Adventista informaram que dentro de suas dependências as brigas não acontecem porque existe controle de segurança dos alunos. A reportagem não conseguiu falar com a direção da Escola Estadual Pedro Macedo.

Motivos

O psicólogo Josafá Cunha, do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná, desenvolveu tese de mestrado mostrando o universo das agressões e seus os motivos (veja infográfico). Para Cunha, a ausência dos pais na vida escolar dos filhos é um dos fatores preponderantes para a violência entre os alunos. Segundo ele, o envolvimento familiar fortalece os vínculos do aluno com a escola e a busca da resolução dos conflitos. “A violência é reflexo da agressividade que ele (aluno) vê em casa, muitas vezes”.


Fonte: Aline Peres e Anna Simas - Colaborou Hélio Strassacapa, do Jornal de Maringá


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