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03/11/2009

Preço do álcool dispara e bate recorde em SP.

Litro do etanol teve reajuste médio de 14% em outubro, de R$ 1,306 para R$ 1,501, nível mais elevado desde 2006; desde junho, alta já atinge 28%.

O preço do etanol nas bombas de combustível disparou em outubro e atingiu o maior nível desde 2006 no Estado de São Paulo - o maior produtor de açúcar e álcool do País. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do etanol teve alta média de 14% no mês passado, de R$ 1,306 para R$ 1,501. Um dos motivos é o aumento da produção de açúcar, cujo preço no mercado mundial está mais alto.

Desde o início da escalada dos preços do álcool, em junho, o produto já ficou 28% mais caro. Os reajustes, no entanto, não devem parar aí. Nos postos da capital, novos aumentos estão sendo preparados para os próximos dias, conforme verificou a reportagem do Estado em estabelecimentos das regiões norte e oeste.

Mas, antes mesmo desses aumentos chegarem, já há casos em que o etanol perdeu a vantagem financeira em relação à gasolina - abastecer o automóvel com álcool deixa de ser vantajoso quando o preço custar mais de 70% do litro da gasolina. Em alguns postos, essa relação varia entre 71% e 73%. O problema é que, em vários outros casos, o preço do etanol está no limite, entre 62% e 69% do preço da gasolina, segundo a ANP.

O diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) Antônio de Pádua Rodrigues diz que esse é um bom momento para os consumidores mostrarem o poder que têm nas mãos. "Hoje 37% da frota nacional é bicombustível. Ou seja, os usuários podem usar etanol ou gasolina, dependendo do preço."

Segundo ele, o litro do combustível na casa de R$ 1,50 em São Paulo está dentro da normalidade. De acordo com a ANP, na capital paulista, o maior preço cobrado do consumidor é de R$ 1,97, de um posto localizado no bairro de Santo Amaro. O menor preço é de R$ 1,199, na zona leste.

"O preço do etanol nas usinas vem subindo dia após dia desde agosto e está sendo repassado. Cada distribuidora tem uma estratégia própria para transferir o aumento de custo para os postos", diz o vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz.

No mercado, a principal explicação para o avanço do preço etanol é a maior produção de açúcar para o mercado internacional, por causa da quebra da safra da Índia, que de exportadora se tornou importadora. Isso elevou de forma significativa o preço da commodity e incentivou o produtor brasileiro, bastante debilitado por causa da crise mundial, a apostar no produto. Com isso, 45% da produção foi destinada ao açúcar e 55% ao álcool. Em 2008, esses porcentuais eram de 40% e 60%, respectivamente.

O governo não descarta a possibilidade de intervir no mercado, reduzindo o volume de álcool anidro na gasolina, de 25% para 20%. Em 2006, quando o preço chegou a R$ 1,777, a alternativa foi fechar um acordo com os produtores que fixava um preço máximo na usina.


Fonte: Renée Pereira - O Estadão


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