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20/01/2009

Polícia intensifica fiscalização de cintos de segurança em ônibus.

Lei permissiva aumenta descaso com o uso do equipamento de segurança.

A tragédia com o ônibus do Brasil de Pelotas, que capotou no entroncamento entre a RSC-471 e a BR-392, em Canguçu, às 23h40min de quinta-feira, está mobilizando policiais rodoviários gaúchos em torno de uma causa: a conscientização de passageiros, motoristas e empresários do ramo dos transportes para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança. Desde o acidente, quando três pessoas morreram, as ações de fiscalização começaram a se intensificar, embora a legislação contenha brechas que dificultam o controle policial.

Na noite em que o ônibus xavante despencou no desfiladeiro, o jogador uruguaio Claudio Milar, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), estava sem o cinto de segurança. Desprotegido, o craque foi arremessado para fora e morreu. Especialistas acreditam que, se ele estivesse preso ao banco, poderia estar vivo.

A imprudência é comum entre passageiros de ônibus. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), com base em uma estimativa feita no Rio de Janeiro em 2007, menos de 3% dos usuários afivelam o cinto nas viagens. Para evitar novas tragédias, a PRF e o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) decidiram reforçar as abordagens a ônibus.

Nas estradas federais, as blitze começaram no sábado, quando agentes fizeram uma operação na BR-290, em Porto Alegre, e flagraram dois ônibus com problemas. As ações devem continuar.

– O acidente com o Brasil de Pelotas serviu de alerta – diz o chefe de policiamento e fiscalização da PRF no Estado, Julio César Zambon.

Nem todos os veículos de transporte coletivo estão amparados pela lei para exigir que os passageiros usem o equipamento de segurança. Apenas os ônibus que fazem linhas intermunicipais e interestaduais podem cobrar o uso dos seus passageiros. Os veículos de linhas urbanas e os chamados pinga-pinga são dispensados da exigência, porque têm autorização para levar pessoas de pé.

– Se um desses veículos se acidenta, o risco é enorme, porque as pessoas estão soltas lá dentro, mas não podemos fazer nada – afirma o tenente-coronel Edar Borges Machado, comandante do CRBM.

Para o diretor-presidente da Associação Riograndense de Transporte Intermunicipal, Airam Ferreira Borges, se fosse necessário impedir que passageiros viajassem de pé nesses ônibus comuns, haveria um aumento no valor das passagens. E o resultado poderia ser diferente do esperado:

– Mesmo que todas viajassem sentadas, não sei se usariam o cinto. É uma questão cultural e não depende só das empresas ou dos motoristas.

Os policiais que atuam nas rodovias estaduais receberam ordens para abordar mais ônibus. O reforço policial, no entanto, é insuficiente na opinião do comandante do CRBM. Segundo ele, as empresas de transporte deveriam conscientizar os passageiros.


Fonte: Zero Hora


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