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09/06/2009

Pão de Açúcar compra Ponto Frio e retoma liderança no varejo

Negócio de R$ 824 milhões transforma grupo de Abilio Diniz em um gigante com receita de R$ 26 bilhões por ano.

O Grupo Pão de Açúcar bateu o martelo para a compra do Ponto Frio na madrugada de segunda-feira e se transformou na maior companhia do varejo brasileiro - superando o rival Carrefour -, com faturamento de R$ 26 bilhões, 79 mil funcionários e mais de mil lojas espalhadas por 18 Estados. Após ter até anunciado que não estava no páreo, o grupo comandado por Abilio Diniz desbancou redes apontadas como favoritas à compra da companhia, como o Magazine Luiza e a Lojas Insinuante, líder na região Nordeste. A transação inclui as 455 lojas físicas do Ponto Frio, a loja virtual, a participação na financeira Investcred e centros de distribuição.

"Foi uma negociação difícil", disse Diniz. Segundo ele, o negócio começou a ser analisado pelo Pão de Açúcar há cerca de um ano, mas os entendimentos se intensificaram nas duas últimas semanas. O sinal verde dos controladores foi dado às 6 horas da manhã de segunda-feira, quando foram colhidas as últimas assinaturas no circuito Londres/Genebra.

Nas últimas semanas, as negociações que se desenhavam praticamente levavam o Ponto Frio para as mãos do Magazine Luiza. A reviravolta se deu na semana retrasada, quando negociadores do Ponto Frio e do Pão de Açúcar se reuniram em Nova York. Durante cinco dias de conversações, eles desenharam um acordo financeiro com algumas características peculiares - principalmente no que diz respeito ao pagamento de parte do Ponto Frio com ações do Pão de Açúcar. A possibilidade de poder usar ações pode ter feito a diferença em favor do grupo de Abilio Diniz: como teria de pagar tudo em dinheiro, o Magazine Luiza dependeria de os sócios colocarem um expressivo volume de recursos.

Para concretizar o maior negócio da história do varejo brasileiro em número de lojas e faturamento, o Pão de Açúcar pagou R$ 824,5 milhões pela participação de 70,2% dos controladores no capital total da Globex - Lily Safra e seu enteado, Carlos Monteverde. Desse valor, R$ 373 milhões foram quitados à vista, com recursos provenientes do caixa da empresa. Os R$ 451 milhões restantes serão quitados por meio de troca de ações.

O pagamento em ações livrou o Pão de Açúcar de se endividar para fazer a aquisição. Trazia, porém, um inconveniente: se essas ações fossem vendidas rapidamente, fariam despencar o valor dos papéis do grupo. Para evitar isso, a solução foi determinar que as ações só podem ser vendidas em etapas: 6 meses, 12 meses e 18 meses. Se as ações subirem no período, Lily Safra terá um ganho. Se caírem, ela garante a rentabilidade no período igual ao dos juros bancários, o CDI. O contrato foi costurado pelo escritório de fusões e aquisições Estáter, de Pércio de Souza, e pelo escritório de advocacia Souza, Cescon pelo Pão de Açúcar, e Goldman Sachs e Mattos Filho, pelo Ponto Frio.

Para os acionistas minoritários, que respondem por 29,8% do capital da companhia, o Pão de Açúcar fará uma oferta pública para compra de ações por 80% do preço pago aos controladores (ver página B15). Se o negócio for acatado pela totalidade dos minoritários, o Pão de Açúcar vai desembolsar R$ 1,164 bilhão para compra do Ponto Frio, calcula o vice-presidente administrativo e financeiro do grupo, Enéas Pestana.

ALIMENTOS

A decisão do Pão de Açúcar de ampliar a sua participação em produtos não alimentícios foi tomada cinco anos atrás, disse Diniz. Ele observa que os não alimentos são indutores de vendas dos hipermercados. Além disso, com a volta do crédito e o deslanche da construção civil, o mercado de móveis e eletrodomésticos tem perspectivas favoráveis.

"Não vamos deixar de vender o feijãozinho e a batata. Continuaremos sendo merceeiros", ressaltou. Mas ele ponderou que o crescimento na casa de dois dígitos registrado pelas lojas do Extra Eletro no primeiro trimestre chamou a atenção. A companhia estima que esse segmento de eletroeletrônicos gire R$ 68 bilhões, cifra que pode chegar a R$ 134 bilhões até 2013. Desse total, a nova rede de eletroeletrônicos vai deter cerca de 10%, com faturamento de R$ 7 bilhões, atrás apenas das Casas Bahia, com R$ 14 bilhões.

Segundo Claudio Galeazzi, presidente executivo do grupo, a participação das vendas de alimentos no Pão de Açúcar deve cair de 76% para 62%. Ele afirmou que há uma grande sinergia entre as duas empresas - sinergia que, trazida a valores presentes, equivale a R$ 500 milhões. O número inclui ganhos de escala, parceria com fornecedores e união de serviços financeiros, entre outros. Segundo Galeazzi, a sobreposição de lojas é muito pequena e a perspectiva de redução de quadro de pessoal também.


Fonte: Márcia De Chiara - Jornal Estadão - SP


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