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05/02/2009

Notícia de Santa Catarina

Líder em mortes em acidentes, SC embasa campanha nacional de segurança no trânsito

No mês da folia do Carnaval, sinônimo também de tragédias ao volante, mais uma campanha nacional de trânsito é lançada para conter o trágico número de mortes. Mas se o mês é de festa, Santa Catarina não tem o que comemorar. O Estado onde morre mais gente no trânsito proporcionalmente à população embasará a campanha do governo federal.

A liderança indesejada foi conhecida pelos catarinenses ainda no final do ano passado, com base em dados estatísticos de 2006, segundo pesquisa do Ministério da Saúde, mas continua desafiando motoristas e autoridades quando o assunto é uma solução para a perigosa e triste marca.

O Carnaval é considerado o período mais crítico pelas autoridades locais. No feriadão do ano passado (cinco dias), foram 22 mortos. Destes, 15 perderam a vida em BRs, índice que colocou Santa Catarina em segundo lugar na lista de mortes do Brasil durante os dias de festa, atrás apenas de Minas Gerais, onde está concentrada a maior parcela da malha viária nacional, que teve 19 mortes.

O governo federal lançou um apelo ao respeito às leis, engajando os ministérios da Saúde e das Cidades e o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) com a campanha "Por você e pelos outros: respeite as leis de trânsito". Serão mostradas nas cidades e meios de comunicação cenas e situações de imprudência nas rodovias e vias urbanas que originaram acidentes.

Na pesquisa em que o Estado aparece no topo do ranking de mortes em acidentes, a taxa de mortos é de 31,7 por 100 mil habitantes. Em segundo está o Mato Grosso do Sul, com a taxa de 29,8 por 100 mil habitantes. Estão incluídos todos os tipos de acidentes de transportes terrestres. Constam também, por exemplo, vidas perdidas em acidentes com motos e atropelamentos.

Na manhã desta quarta-feira, a morte do pedreiro João Batista Dorneles, 48 anos, acidentado com uma motocicleta emprestada na rodovia Evádio Paulo Broering (SC-433), em Palhoça, na Grande Florianópolis, mostrou uma cena que tem se tornado banal no Estado. João perdeu a direção em uma curva e bateu numa árvore. A mulher, Ivanira Terezinha Jurguelewcz, 48, tentava descobrir a maneira menos dolorosa de dar a notícia aos dois filhos do casal.

A cada dia desse ano, um sentimento como esse bateu à porta de pelo menos uma família catarinense. Já morreram no trânsito do Estado do dia 1º de janeiro até esta quarta-feira pelo menos 49 pessoas em rodovias federais e estaduais, segundo a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar Rodoviária. Fazendo as contas, é mais de uma morte por dia.

Uma série de fatores faz entender um pouco a dimensão da matança sobre rodas ou contra pedestres que assusta os catarinenses.

— Santa Catarina é corredor de transportes, estado turístico, mas também tem o fator comportamental. Cada indivíduo deve assumir a responsabilidade sobre a sua vida e a dos demais. Não adianta só a fiscalização. Prova disso é que o número de multas só aumenta cada vez que a fiscalização cresce — opinou a coordenadora de convênios de trânsito e registro nacional de infrações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/SC), Graziela Maria Casas Blanco.

Fiscalização deve ser rigorosa no Carnaval

O Detran revela que o excesso de velocidade e as ultrapassagens indevidas estão por trás das principais infrações cometidas por motoristas e diretamente ligadas aos acidentes e às mortes. Água na pista também representa ameaça. O capitão Fábio José Martins, da Polícia Militar Rodoviária, afirmou que 74% dos acidentes ocorridos nas SCs em 2008 foram em dias chuvosos.

— O brasileiro se acostumou à cultura de não seguir as regras — criticou o capitão ao culpar o excesso de velocidade pelas saídas de pistas em dias de chuva nas rodovias.

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina, inspetor Luiz Ademar Paes, reconheceu o Carnaval como feriadão crítico no trânsito do Estado. Além do movimento intenso comum da temporada, há o consumo de álcool.

— Estamos nos preparando para agir com rigor — afirmou.

Segundo Paes, a lei seca diminuiu em 24% o número de mortes nas rodovias federais do Estado desde que entrou em vigor (20 de junho de 2008 a 3 de fevereiro de 2009) em comparação com o mesmo período sem a existência da medida. Mas a quantidade de acidentes aumentou 7% esse ano nas BRs de Santa Catarina.

Lombadas eletrônicas estão desativadas nas BRs

Para agravar a preocupação das autoridades catarinenses com o trágico número de mortes no trânsito, um equipamento essencial de fiscalização de abuso de velocidade está sem operar nas rodovias federais. As 25 lombadas eletrônicas existentes nas BRs não funcionam há mais de um ano no Estado. Algumas até estão com a luz ligada, mas, legalmente, elas não podem emitir as infrações.

Além da impunidade aos motoristas, pois as multas não estão sendo cobradas, a inoperância faz aumentar o risco de acidentes nesses locais, segundo estudo do próprio Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) divulgado em 2008.

O impasse existe por pendências judiciais. O contrato com a empresa que operava as lombadas se encerrou. O DNIT abriu uma nova licitação para instalar 81 novos equipamentos nas BRs 101, 116, 280, 282 e 470. Mas a concorrência parou na Justiça. O DNIT informou que não há prazo para a reativação.

O superintendente da PRF Luiz Ademar Paes torce para que as lombadas voltem a funcionar logo para ajudar na prevenção aos acidentes. Especialistas apontam que a sua existência é essencial em pontos urbanos para diminuir o risco de atropelamentos.

Equipamento identifica veículos furtados

As 25 lombadas eletrônicas ficam nas BRs 101 (Sul a Norte), 116 (Planaltos Serrano e Norte), 280 (Norte), 282 (corta praticamente todo o Estado) e 470 (Vale do Itajaí até Oeste).

Parte dos novos equipamentos prometidos deverá ter câmeras para o monitoramento do tráfego e até um sistema que vai registrar as placas dos veículos que passam pelo trecho com a intenção de identificar os que são furtados. Nas rodovias estaduais estão em funcionamento pelo menos 52 lombadas, e as multas são emitidas normalmente.


Fonte: Diogo Vargas


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