Confira as últimas notícias sobre a Transal e o mercado de transportes.

22/06/2009

No ritmo atual, frota de veículos de Curitiba dobrará em 10 anos.

Número de veículos em outros municípios da região metropolitana cresce a taxas ainda maiores, contribuindo para os congestionamentos na capital

A frota de veículos dobrará em Curitiba nos próximos 10 anos, atingindo 2,1 milhões de veículos, se for mantido o ritmo de crescimento de 38,63% dos últimos cinco anos (2003-2008). Hoje a cidade já é a capital mais motorizada do país – tem 1 veículo automotor para 1,63 habitante –, com uma frota de 1.097.030 unidades para uma população de 1.828.092 – dados de 2008.

As ruas da capital estão congestionadas porque a frota da cidade e do entorno não para de crescer. Curitiba pulou de 791.286 veículos em 2003 para 1.097.030 em 2008. E a frota continua esticando. Eram 1.111.013 veículos em abril deste ano, serão mais de 1,5 milhão em 2013, passando dos 2,1 milhões em 2018, caso o ritmo se mantenha.

O entorno da capital também tem números significativos para o trânsito da região metropolitana. A frota dobrou no período em Almirante Tamandaré e quase dobrou em Colombo, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais. Essas e outras cinco cidades vizinhas podem jogar juntas mais 366.884 veículos no trânsito da capital (veja mais no quadro ao lado).

De acordo com Fábio Duarte, diretor do mestrado de Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o movimento pendular feito pelos moradores da cidades vizinhas que vêm todo dia para Curitiba é um fatores dos congestionamentos encontrados na capital. “Dizem que a frota de Curitiba é menor do que apontam os números, porque há empresas que licenciam seus veículos aqui e eles circulam em outras cidades, mas, da mesma maneira, há muito carro vindo de outros municípios da região metropolitana para Curitiba”, lembrou.

Com tantos veículos na rua, o dentista Nelson Zillasanti, de 46 anos, precisa de 30 minutos cravados no relógio para voltar para casa, percorrendo um trecho com cerca de 3 km. Ele tem consultório no centro (deixa o carro num estacionamento durante o expediente) e mora no Alto da XV. Já o empresário Ramir Generoso Arantes, de 27 anos, que mora no bairro do Pilarzinho, diz que é muito difícil o trânsito do centro para as Mercês depois das 18 horas.

Segundo especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, para virar o jogo e tirar parte dos carros das ruas, reduzindo o tráfego de veículos, Curitiba precisa olhar o modelo adotado por cidades francesas como Paris e Lyon, que priorizaram a bicicleta; melhorar o seu transporte coletivo, ou, simplesmente, investir pesado no metrô.

Para Carlos Hardt, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCPR e especialista em circulação e planejamento urbano, o transporte coletivo da cidade não é tão bom a ponto de ele decidir deixar o seu carro em casa. “O transporte precisa aliar tempo, conforto e preço”, explica. “Para você deixar o seu carro em casa é preciso ter uma vantagem. Isso porque o carro tem o seu grau de conforto, a pessoa faz o seu itinerário, horário, pode escolher o que vai ouvir no trajeto.” Hardt lembra ainda que a própria discussão do metrô passa por aí. “Quem tem condições de pegar o metrô certamente vai deixar o carro em casa”, prevê. “Isso vai fazer aumentar o número de passageiros do transporte coletivo.”

Mas há solução mais simples. Paris e Lyon apostaram no uso de bicicletas públicas, diz Renato Balbim, doutor em trânsito pela USP. “Quanto mais facilidade tiver para automóvel, mais ele estará nas ruas”, avalia, recomendando o incentivo aos meios não-motorizados, como a bicicleta. “Além disso, o uso do solo é importante: criar áreas de usos mistos, com moradia, serviços e comércios juntos para facilitar o deslocamento sem o uso do automóvel.”

Segundo o especialista, além de ter ciclovias, as cidades precisam dispor de semáforos inteligentes e ações para melhorar o transporte coletivo e incentivar o transporte cicloviário. “No Brasil, as cidades nordestinas estão implantando o metrô, Santos já reativou o bonde e Porto Alegre segue o mesmo caminho”, diz. “Já Sorocaba está investindo nas ciclovias.”

Por enquanto, em Curitiba, ainda é mais barato andar de carro do que de ônibus em pequenos percursos (inferiores a 7 km). A prova é que o transporte coletivo da capital perdeu 600 mil passageiros por mês de janeiro a abril deste ano. Já sobre o uso de bicicletas, a prefeitura ainda não encontrou uma solução para explorar seis bicicletários existentes na cidade.


Fonte: João Natal Bertotti - Gazeta do Povo


Outras notícias