Confira as últimas notícias sobre a Transal e o mercado de transportes.

28/11/2007

Lula sugere taxação do petróleo para estimular biocombustível

Presidente questionou compromisso de países ricos contra efeito estufa. E criticou o fato de os EUA produzirem etanol a partir do milho, e não da cana-de-açúcar.

No lançamento do Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), na terça-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu a taxação do mercado internacional do petróleo para estimular o consumo de biocombustíveis. E voltou a questionar a ambição dos países ricos em minimizar os efeitos da mudança climática ao mundo.

“Para que o Brasil exporte o etanol tem uma sobretaxa enorme quase que dobrando o preço do álcool. Entretanto, o petróleo comprado dos países produtores de petróleo não paga nenhuma taxa. Cadê o equilíbrio comercial? Cadê a vontade de despoluir o planeta? Cadê a vontade de diminuir os gases que produzem o efeito estufa? Poderia começar taxando o petróleo”, disse o presidente.

A sugestão vai na contramão dos esforços brasileiros de integrar a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Há pouco mais de duas semanas, Lula disse que “logo, logo o Brasil” vai participar do cartel petrolífero por conta da descoberta do mega campo de Tupi, com reservas de 5 a 8 bilhões de barris.

 
Ressalva

O administrador do Pnud, Kermal Dervi?, lembrou que o importante é os países preocuparem-se com a diminuição do efeito estufa, não necessariamente a taxa sobre a commodity.

“O importante é que todos os emissores de carbono paguem o preço correto do petróleo e do carbono. O importante é que seja um preço correto e não necessariamente a sobretaxa”, disse Dervi?.


Etanol de cana, não de milho

Lula criticou ainda a decisão dos Estados Unidos de manter a produção de etanol baseada em milho e não em cana-de-açúcar, que é mais eficaz. O presidente disse que a decisão norte-americana limita-se apenas na questão eleitoral.

“Se depender de cada nação tomar as decisões a partir das necessidades internas, os EUA vão continuar produzindo etanol do milho porque quem vota nos EUA são os produtores de milho e por isso é importante subsidiar em detrimento a outras coisas que podem produzir álcool com muito mais eficácia”, afirmou o presidente.


Elogio

Apesar de não dar apoio à proposta do presidente Lula, o administrador do Pnud, assim como o diretor de desenvolvimento humano do Programa, Kevin Watkins, elogiaram a matriz energética brasileira por minimizar o impacto da emissão de gás carbônico na atmosfera.

Watkins disse ainda que o etanol extraído a partir da cana-de-açúcar é mais eficiente do que o modelo a partir do milho, como feito nos Estados Unidos. Uma das sugestões apresentadas por Watkins para limitar o aquecimento global seria taxar emissões de gás carbônico. “O etanol de milho é bem menos eficiente do que o feito da cana-de-açúcar. E esse é o modelo que deveríamos perseguir”, disse o diretor.

O turco Dervi? também saiu em defesa de os Estados Unidos alterarem o modo que produz etanol e condenou os subsídios à produção. E foi além: condenou a prática dos países desenvolvidos de subsidiar o mercado agrícola. “Os subsídios agrícolas dos países ricos são um grande problema para o mundo todo. Precisamos ter uma política mais racional e mais equilibrada nos países ricos”, disse.


Ajuda aos pobres

No discurso de lançamento do Relatório da ONU, Lula voltou a defender a tese de os países ricos criarem um fundo de apoio à África e às nações mais pobres da América Latina.

“Nos países pobres toda vez que um governo coloca dinheiro para o pobre, o FMI fala que é primeiro fazer o equilíbrio fiscal. Nós provamos o contrário: é possível ter uma política fiscal séria, combinar a distribuição de renda para os mais pobres com crescimento econômico, crescer mercado externo com mercado interno”, disse.

E criticou a burocracia que o Haiti enfrenta para ter acesso à promessa de US$ 1 bilhão de ajuda. “Os paises doadores dizem que têm US$ 1 bilhão para ajudar o Haiti, mas esse dinheiro demora a chegar. É muita burocracia. É impossível sustentar a democracia se aquele povo não tomar café, almoçar e jantar e não ter perspectiva de trabalho.


Fonte: Portal de Notícias G1


Outras notícias