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12/11/2007

Escassez de gás deve durar até 2011

Apesar do otimismo com a descoberta de reservas gigantescas de petróleo e gás, o País não conseguirá resolver no curto prazo a crise de abastecimento de gás natural. O Brasil não é prioridade número 1 da Bolívia, principal fornecedor do País, e o aquecimento do mercado de gás natural liquefeito (GNL), que deve perdurar pelos próximos anos, vai dificultar as compras do produto.

"Não existe crise. Não uso a expressão crise de gás porque não existe", repete a diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster. Ela assumiu o cargo há pouco mais de um mês, substituindo Ildo Sauer, que saiu atirando contra a política energética do governo. Especialistas alertam, porém, para a repetição de sustos como o da semana passada, quando a Petrobrás reduziu as entregas de gás às distribuidoras do Rio e São Paulo.

A tendência é que a situação se normalize só na virada da década, com a entrada em operação de campos de gás como Mexilhão, na Bacia de Santos, e os complexos Peroá-Cangoá e Golfinho, no Espírito Santo, que dependem da conclusão de gasodutos para abastecer o mercado.

Mexilhão, que despontou em 2004 com reservas estimadas em 420 bilhões de metros cúbicos de gás, minguou para 280 bilhões. Embora continue uma promessa gigante, só deverá produzir em 2009. "Estão fazendo injustiça com Mexilhão. A estimativa de produção é de 9 milhões de metros cúbicos por dia a partir de 2009, podendo chegar à previsão inicial de 15 milhões", defende Francisco Nepomuceno, gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobrás.

O bloco de Tupi, cujas reservas podem chegar a 8 bilhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás), só deverá produzir em 2013, sem impacto, portanto, na oferta no curto prazo. Além disso, trata-se de um grande reservatório de petróleo com pouco gás, que, na opinião de especialistas, deve ser usado para abastecer as plataformas e ampliar a pressão dos reservatórios.

"Até 2011, teremos de viver como equilibristas de circo", compara o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). Ele alerta para o risco de repetição da crise de abastecimento de gás já em abril de 2008, caso as chuvas de verão não sejam suficientes para elevar substancialmente o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Se não chover bem, o preço da energia sobe e as térmicas voltam a ser acionadas.

A Petrobrás corre para inaugurar o primeiro terminal de GNL, com capacidade de 7 milhões de metros cúbicos por dia, ainda no primeiro semestre de 2008, o que contribuiria para aliviar a escassez de gás. Mas há ceticismo no mercado quanto à possibilidade de se encontrar o combustível por bons preços no mercado mundial, uma vez que a demanda por energia é crescente.


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo


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