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07/11/2011

Entenda os riscos de escrever um simples torpedo enquanto dirige

Ao sair do trabalho, você entra no carro e pega o seu trânsito de cada dia. Entre uma marcha e outra e quase sem sair do lugar, sabe que falta muito para colocar o pé em casa.

O que você faz? Começa a se distrair com o seu smartphone e mandar mensagens de texto, a colocar os e-mails em dia ou mesmo compartilhar com os seus amigos sobre as condições do trânsito nas redes sociais. Por essa atitude, você acaba de ganhar um cartão vermelho dos especialistas, que garantem que enviar digitar ao volante é mais perigoso do que falar ao telefone.

A difusão dos softwares de bate-papo e a ampla rede de acesso à internet via celular contribuem para que as pessoas fiquem conectadas 24 horas por dia. Com alguns toques no teclado ou na tela do celular, qualquer um pode se comunicar rapidamente. Bom, né? E é justamente essa ideia de simplicidade que causa uma falsa impressão ao se digitar pelo telefone. “Ao escrever uma mensagem, a pessoa tem a impressão de que a atividade ocupa menos a atenção e pode ser administrada com facilidade enquanto dirige”, destaca Cláudia Aline Soares, psicóloga de comportamento no trânsito.

A especialista reforça que o telefone deve ficar bem longe do motorista. Comparando com a atitude ilegal de falar ao celular enquanto dirige, enviar uma mensagem é potencialmente mais perigoso. “Dirigir significa estar atento a todos os estímulos provenientes do trânsito. Enquanto o telefone retira a sua atenção aos estímulos auditivos, a mensagem a desvia do visual e também do tátil, já que você passa a se preocupar com a digitação”, diz.

Para Celso Mariano, especialista de trânsito do Portal do Trânsito o esforço e a atenção dispensados no celular atrapalham e muito quem está ao volante. “Elaborar um texto e digitá-lo num aparelho de dimensões minúsculas, tendo ainda que localizar o número do destinatário, são atividades que exigem empenho cognitivo e neuromotor. Tais capacidades fazem uma falta insubstituível ao ato de dirigir”, reforça.

Já o poder da visão é um dos principais sensores de perigo contra acidentes no trânsito e, por isso, o motorista deve estar vigilante num ângulo de 360º do seu carro. Segundo Dirceu Rodrigues Júnior, diretor da Associação Brasileira de medicina do Tráfego, existe mais um agravante: “O raciocínio tem que estar voltado aos reflexos que o trânsito demanda. Ao digitar, você direciona o raciocínio para o texto que está escrevendo, algo muito menos intuitivo do que a própria fala. Elaborar um texto é nada mais do que se expressar pela fala”, explica.

Usuário de um smartphone, o estudante de economia Patrick Dutton, 22, confessa que, por vezes, utiliza o celular enquanto dirige. “O uso das mensagens virou uma constante no meu dia a dia. É prático, gasta bem menos e passa uma impressão de que estou otimizando o meu tempo ao resolver pequenos problemas enquanto estou no trânsito”, admite.

Para Soares, a melhor forma de aproveitar o tempo é simples. E pode evitar acidentes. “Faça uma pausa em algum posto de gasolina ou qualquer ponto de parada para resolver a questão. A tecnologia foi criada para organizar a nossa vida, não para nos oferecer mais riscos”, recomenda.

À noite, os riscos são ainda maiores. Segundo o diretor da ABRAMET, a luminosidade do aparelho tecnológico pode causar a dilatação da pupila. “É semelhante ao efeito de sair de um túnel escuro para um ambiente claro. Ao focar no aparelho, sua pupila irá se adaptar àquela luminosidade e, ao voltar o foco para o trânsito, o olho precisará se readaptar. O processo dura de três a quatro segundos e, dependendo da velocidade, eles podem ser vitais”, destaca.

Com as campanhas contra o uso de celular ao volante, muitas pessoas trocaram as chamadas pelas mensagens. “Muitos pensam que é mais fácil esconder o celular da fiscalização ao digitar do que ao falar”, diz a psicóloga. “Vidros fechados e com película para escurecê-los num veículo em deslocamento dificultam o flagrante. Ainda existem os fones de ouvido ou viva-voz”, acrescenta Mariano.

Como a legislação não apresenta ressalvas específicas sobre o uso de mensagens, o motorista pode pensar que está passando impune. Outro engano. “A fiscalização pode autuar como infração ao artigo 252 por dois motivos: dirigir sem estar com as duas mãos ao volante, excetuando em caso de troca de marcha, ou por utilizar fone de ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou telefone celular”, conclui Dirceu.


Fonte: Portal do Trânsito


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