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25/02/2010

Eleição e pré-sal freiam ações da Petrobrás

Ações da petrolífera têm desempenho abaixo do que o Ibovespa e a Vale; Especialistas dizem que incertezas sobre a empresa pesam no papel

A exemplo de 2009, as ações da Petrobrás continuam com desempenho abaixo do que média do mercado (Ibovespa) e ao dos próprios papéis da Vale. Se por um lado o preço de reajuste do minério de ferro anima os investidores a comprar as ações da mineradora, os papéis da petrolífera são vistos com cautela após persistirem o receio sobre a capitalização da empresa para tocar os projetos do pré-sal. Pesa ainda sobre as ações o fato de 2010 ser ano eleitoral e empresas públicas, como a Petrobrás, sempre serem consideradas mais arriscadas.

"As ações da Petrobrás começaram a ficar para trás no início do último trimestre do ano passado com a notícia do plano de capitalização organizado pela União. Muitos detalhes ainda estão em aberto", explica o analista de investimentos da corretora Spinelli, Max Bueno.

Não há ainda uma projeção fechada de quanto deva ser o aporte de recursos da empresa no projeto do pré-sal, mas analistas chegam a apostar em até R$ 200 bilhões. "Estimamos um investimento de R$ 175 bilhões e falta caixa na empresa para tal aplicação. Também não é viável tomar mais empréstimos porque elevaria o grau de alavancagem", aponta o economia Rodrigo Constantino.

A terceira alternativa, vista pelo mercado como a mais provável, seria fazer uma oferta de ações. Especialistas explicam que como o governo está próximo do limite de 50% de ações ordinárias necessário para ser acionista majoritário na empresa (atualmente a participação é de 55,56%), a União precisará acompanhar a oferta de papéis, colocando recursos na empresa. "Os limites orçamentários já estão esticados. A solução encontrada foi usar o próprio ativo que pertencerá a União - os barris de petróleo ainda a serem extraídos - para honrar a sua parte na oferta.

Neste processo, o principal risco para os acionistas minoritários é o da perda de participação no capital da empresa, caso não participe da oferta de ações. "O problema da capitalização como ela é pensada é que ela gera desconfiança no investidor local que não se sente muito confortável em manter a ação na carteira", diz o analista da corretora SLW, Pedro Galdi.

Na ponta contrária, os holofotes se concentram sobre a Vale, empresa que deve conseguir um reajuste do preço do minério de ferro de até 40%. "O cenário é de demanda forte e a empresa investiu durante o período da crise em aumento da capacidade. Deve trabalhar a toda capacidade neste ano", avalia Galdi.

Risco político

O risco político sempre é um fantasma quando se trata de empresas públicas com ações negociadas na Bolsa. No caso do pré-sal, por exemplo, o mercado teme que o governo trabalhe com perspectivas mais positivas do que a realidade da capacidade de exploração das bacias. Segundo analistas, há um claro conflito de interesse no qual o governo se beneficia se a camada pré-sal seja valorizada, com custos e margens maiores.

A intervenção na Petrobrás, dizem especialistas, não se limita ao projeto do pré-sal. "Um dos assuntos neste ano de eleição é a inflação que pode voltar a incomodar. O governo pode usar a Petrobrás como instrumento político", diz Constantino. Segundo ele, a gasolina é um importante item da inflação. "O governo pode manter o preço do petróleo inalterado, mesmo com o valor subindo no mercado externo. O governo tem mais interesses na empresa do que um acionista comum, que busca o maior retorno."

Segundo analistas, porém, a distância entre Petrobrás e o restante do mercado tenda a não se distanciar. Todos os riscos envolvidos na operação do pré-sal já estariam precificados na cotação atual do papel. As eleições, na visão dos especialistas, pode trazer volatilidade para o mercado como um todo.


Fonte: O Estadão


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