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06/11/2008

Dos R$ 3 bilhões destinados a obras em rodovias, menos de 10% foram utilizados

Apesar do embalo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a construção de novas estradas, o governo federal tem negligenciado as rodovias já existentes, deixando milhares de quilômetros esburacados às vésperas das chuvas de verão. Reportagem de Leila Suwwan publicada nesta quinta-feira no GLOBO mostra que, segundo dados do Orçamento federal, menos de 10% dos R$ 3 bilhões destinados a obras de manutenção e recuperação em 2008 foram utilizados até o início de novembro.

É o pior desempenho dos últimos anos, mas o governo afirma que este é o preço da transição entre o antigo modelo quebra-galho da operação "tapa-buraco" de 2006 e o novo modelo de projetos plurianuais de restauração e conservação, cujos efeitos só devem ser sentidos pelos motoristas no segundo semestre de 2009. Até lá, a recomendação ao motorista é ficar atento ao encarar as rodovias neste fim de ano.

Os dados mais recentes sobre o tema, da pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) de 2007, apontaram que mais da metade (54,5%) das rodovias brasileiras - cerca de 47 mil quilômetros - estavam em condição péssima, ruim ou regular. Para recuperar a malha viária, seriam necessários investimentos de R$ 23,4 bilhões apenas em reparos e recapeamento asfáltico. Mas os orçamentos para os reparos do asfalto em 2006 e 2007 ficaram na média de R$ 3 bilhões ao ano, sendo que menos da metade dessa verba foi efetivamente utilizada.


A baixa execução orçamentária é um drama histórico nessa atividade. Em 2006, foram pagos 43% do total previsto para o ano. Em 2007, esse percentual foi de 44%. Mas, este ano, o percentual é ainda mais baixo: o valor total liquidado e pago por todas as obras no país até agora é de apenas R$ 293 milhões.

- O tapa-buraco foi o que era possível fazer na situação emergencial em que estávamos (em 2006). A diferença agora é que estamos em fase de transição de modelos de gestão. Saindo dessa sistemática antiga para dois programas mais elaborados, precisos e planejados - disse o diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot.

Rio está entre os estados que receberam menos

Com mais de dois mil quilômetros de rodovias federais, o Rio de Janeiro foi um dos estados que receberam menos verbas federais para obras de manutenção de estradas este ano. O governo federal só desembolsou 0,3% dos R$ 109 milhões previstos no orçamento para este fim. Apenas a BR-101 recebeu recursos, e mesmo assim eles não chegaram a 1% dos R$ 45 milhões reservados para a rodovia, considerada uma das mais perigosas do país.

Em termos de manutenção de estradas, o Rio só ficou à frente de São Paulo, que não recebeu um centavo dos R$ 33,7 milhões previstos no orçamento, segundo dados do Siafi. Mas as estradas em São Paulo ocupam o topo do ranking das melhores pistas do país, boa parte delas administrada pelo governo do estado ou por concessão. Metade das rodovias é considerada ótima e apenas 27% estão em situação péssima, ruim ou regular, segundo a pesquisa da CNT de 2007, a mais recente disponível.

Em Minas, 8 mil buracos no caminho

Em Minas Gerais, estado com a maior malha rodoviária do país, apesar das obras de recuperação, reportagem de Itamar Mayrink e Anderson Alves mostra que ainda são muitos os buracos e pontos críticos nas rodovias. De acordo com o Dnit, Minas tem 35 trechos de estradas federais em situação crítica e outros 42 pontos que exigem atenção dos motoristas. Buracos, falta de pavimentação, queda de barreiras e desmoronamento de pista são os principais problemas.

Nos trechos mais danificados da BR-040, entre Curvelo e Felixlândia e entre Ouro Preto e Congonhas, há mais de oito mil buracos. Dos 773 quilômetros da BR-040 administrados pelo Dnit, 510 não têm contratos de manutenção.


Fonte: O Globo Online


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