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30/09/2008

Crise prejudica desconto em pedágio de rodovias que serão privatizadas.

A crise financeira internacional diminuiu a quantidade de crédito disponível para as empresas brasileiras participarem do leilão de rodovias estaduais em São Paulo. A menor oferta resulta em um crédito mais caro e, como conseqüência disso, as participantes não aceitarão descontos tão altos nas tarifas propostas pelo governo, como o de 60% aceito no leilão do Rodoanel.
Para participar dos leilões de rodovias, as empresas costumam tomar crédito para realização de investimentos em infra-estrutura, para o qual também contam com a ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Como este empréstimo demora a sair, elas recorrem a recursos próprios e de bancos.

Além disso, as empresas ainda precisam pagar uma outorga, cobrança do governo referente ao fato de a estrada já estar construída. No leilão das rodovias estaduais, que acontece no próximo dia 29 de outubro, a outorga é de R$ 3,498 bilhões, sendo que 20% devem ser pagos no ato de fechamento do contrato e o restante, em 18 meses. Para a entrada, muitas empresas recorrem ao crédito bancário.

Crise internacional

Conforme explicou o diretor-presidente da VAE Consultores, Francinett Vidigal, o edital para o leilão das estradas paulistas foi lançado antes da crise. "Mas ela retira uma série de crédito que tínhamos em abundância. Alguns bancos, nos EUA, estão falando em não renovar crédito. E a concessão de rodovias é uma operação que as empresas captam crédito lá fora", explicou.

Com menos crédito, ele fica mais caro. De acordo com Vidigal, é possível dizer que as taxas de juros para estes empréstimos mais que dobraram, depois da crise financeira internacional. "Com a taxa de juros alta, não tem como dar a tarifa que o governo quer". No caso do Rodoanel, o custo do crédito estava mais baixo porque havia em abundância.

Questionado sobre se o pacote que está para ser aprovado no Congresso norte-americano poderia reverter essa situação, Vidigal disse que não, uma vez que ele não prevê resultados em curto prazo, enquanto o leilão já acontece no próximo mês. Isso significa que as empresas não contarão com taxas mais baixas e uma maior oferta de crédito, devido ao pacote. Com isso, muitas daquelas que deveriam participar do leilão desistirão.

Concessão de rodovias

No dia 29 de outubro, serão leiloados cinco corredores no estado de São Paulo: Dom Pedro I, Ayrton Senna, Raposo Tavares e dois trechos distintos da Marechal Rondon, com as tarifas máximas de pedágio fixadas em R$ 0,11/km nas pistas duplas e em R$ 0,08/km nas rodovias de única faixa.

Pelo atual modelo de concessões promovido pelo governo estadual, vencem as disputas as empresas que oferecerem os menores preços de pedágio, ao mesmo tempo em que arcam com o pagamento de taxas e investimentos, que, no caso, devem chegar a R$ 3,5 bilhões e R$ 8,4 bilhões, respectivamente.

Devido ao grande volume de investimentos requeridos, os analistas do Unibanco, quando da publicação do edital da concessão, disseram acreditar que o leilão ficará limitado aos grandes atores do setor, em função da limitada capacidade dos investidores para levantar capital. Deste modo, o fluxo de caixa dos projetos deverá ser pressionado pelo alto custo do crédito, situação que tende a perdurar enquanto as incertezas permanecerem nos mercados financeiros.


Fonte: Setcesp


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