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12/06/2009

Carne em alta na Bolsa de Valores

Ações de frigoríficos recuperam valor com a retomada da demanda internacional pelo produto brasileiro .

Após a forte crise de confiança e a retração da demanda internacional que atingiram os frigoríficos nos primeiros meses do ano, o setor começa a dar os primeiros sinais de recuperação. Mas os especialistas indicam que a reação da indústria de carne bovina ainda se encontra em estágio inicial e deve avançar de forma gradual. A retomada não justifica a euforia na negociação das ações dos frigoríficos verificada nas últimas semanas. Fatores isolados, como fusões e aquisições de empresas e seus desdobramentos para os atuais agentes do setor, estariam influenciando o movimento dos papéis na BM&FBovespa.

"Há uma percepção geral de que o pior da crise já passou, especialmente em comparação com a situação do quarto trimestre de 2008 e do primeiro trimestre deste ano. Mas ainda é muito cedo para falar concretamente. Só vai dar para analisar a profundidade da recuperação quando as companhias divulgarem os balanços do segundo trimestre, já que as exportações de março e abril mostraram reação", afirma o analista da agência de classificação de risco Moody's Soummo Mukherjee, especialista no setor.

No período de 30 dias até o fechamento do mercado na quarta-feira, dia 10, as ações da JBS Friboi acumularam alta de 15,29% na Bovespa, os papéis do Marfrig avançaram 44,28% e os do Minerva, 45,36%. Apesar de o período ter sido marcado por otimismo no mercado de ações, a valorização do setor é superior à média. No mesmo intervalo, o Ibovespa teve valorização de apenas 3,92%. "O mercado costuma antecipar a recuperação, mas ainda não há nada que justifique uma valorização dessa magnitude", afirma uma analista de mercado que falou sob a condição de não ser identificada.

Mas os dados referentes ao mês de maio, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, sinalizam interrupção do movimento de recuperação. Em volume, as vendas externas de carne bovina caíram 11,8% em relação a abril e voltaram a ficar abaixo da média dos últimos 12 meses, somando 75,1 milhões de toneladas. Em receita, a queda foi de 5,4% na mesma base de comparação, com recuperação de 7,3% nos preços em dólares. Mas a queda de 9,96% da moeda norte-americana no mês passado anulou o efeito do aumento de preço.

“Esse recuo em maio é uma acomodação das vendas. As exportações passaram por um estresse muito grande no começo do ano. É comum haver ajustes como o do mês passado", afirma o analista da Terra Futuros Élio Micheloni. Para o analista da Link Investimentos Rafael Cintra, os números revelam que a recuperação das exportações deve ocorrer de forma mais gradual daqui para frente. "O fraco desempenho de maio em volume pode ser uma indicação de que os importadores já repuseram estoques e de que a volta das vendas externas ocorrerá de forma mais lenta", diz.

Carne nobre

Mas há fatores novos que podem ajudar a segurar, ou até aumentar, o volume exportado. O acordo fechado entre Brasil e União Europeia elevou em mais 5 mil toneladas o volume de cota Hilton (padrão superior de cortes de carne inspirado pela rede hoteleira internacional, o qual assegura preços maiores para o fornecedor e taxas de importação menores) a que os frigoríficos brasileiros têm direito. Esse ajuste foi uma forma de compensar a entrada da Bulgária e Romênia no bloco europeu, e é considerado pelo mercado como um fator bastante favorável ao setor.

Com esse aumento da cota, sobe para 10 mil toneladas o volume que o Brasil pode exportar para o bloco com vantagem tributária e preço com elevado valor agregado. O diretor técnico da consultoria AgraFNP, José Vicente Ferraz, no entanto, não vê mudanças significativas nas condições de mercado nas últimas semanas, tanto do ponto de vista da demanda como da oferta de matéria-prima. A escassez de boi para abate, inclusive, é o fator que mais atrasará a recuperação dos frigoríficos em rentabilidade, na avaliação dele. "O ciclo pecuário não permite que se alterem as condições de oferta consistentemente. A briga na compra pelo boi gordo pressiona as margens dos frigoríficos, e esse cenário só deve mudar a partir do segundo semestre de 2010", diz.

Mesmo com a escassez de matéria-prima, os grandes frigoríficos procuram aproveitar o espaço deixado por importantes concorrentes na atividade de abate e aceleram o ritmo de produção. As três indústrias de carne bovina com ações negociadas na Bovespa - Friboi, Marfrig e Minerva - anunciaram recentemente a intenção de aumentar o número de animais abatidos por dia e, assim, reduzir o nível de ociosidade de suas unidades.

Capacidade ociosa

A saída de empresas menos eficientes do mercado ou com problemas na estrutura de capital (pouco caixa e elevadas dívidas de curto prazo), como Independência, Arantes e Quatro Marcos, estimulou o aumento do nível de atividade das remanescentes. Calcula-se que cerca de 20% da capacidade instalada de 2008 tenha sido desativada, estimulando o aumento da produção em frigoríficos com boa saúde financeira.

"O problema da ociosidade foi amenizado e o risco de um novo movimento de quebradeira e de calotes nesse mercado diminuiu bastante entre os frigoríficos que restaram", afirma Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria.

Essa retirada de relevantes players do mercado provocou uma queda momentânea do preço da matéria-prima, que rapidamente retornou à trajetória de alta. Nos três primeiros meses do ano, quando a queda nas exportações coincidiu com o agravamento geral da situação dos frigoríficos, os preços do boi gordo no mercado físico acumularam uma desvalorização de 8%. A partir de abril, no entanto, quando o mercado externo voltou a dar sinais de recuperação, com a retomada do crédito e a redução dos estoques nos países importadores, os preços voltaram a subir e tiveram uma valorização de 4% entre abril e o fim de maio


Fonte: Agência do Estado


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