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05/01/2010

Braskem deve anunciar hoje a compra da petroquímica Quattor

Odebrecht e Petrobrás também vão injetar R$ 3,5 bilhões na Braskem para fortalecer a gigante petroquímica

A Odebrecht e a Petrobrás devem anunciar hoje a compra da Quattor pela Braskem, criando um gigante com faturamento de R$ 30,4 bilhões, capacidade anual de produção de 15,6 milhões de toneladas de produtos petroquímicos e químicos intermediários e 6,6 mil funcionários. No último fim de semana, a família Geyer, que detém o controle da Quattor por meio da Unipar, apresentou uma proposta confirmando interesse na venda da totalidade das suas ações. Até então, existia a possibilidade de uma fusão, o que deixava a família com uma participação diluída na "nova Braskem".


A operação virá acompanhada de um aporte de capital na Braskem de aproximadamente R$ 3,5 bilhões. A Petrobrás entrará com mais da metade do dinheiro, o resto virá da Odebrecht. O objetivo é reduzir o alto endividamento da Braskem, depois da incorporação da Quattor. A dívida da Quattor está em torno de R$ 6,7 bilhões e será assumida pela Braskem.

A Quattor foi avaliada em mais de R$ 7,3 bilhões. Descontada a dívida, sobram mais de R$ 600 milhões para os acionistas. A Unipar, controladora da empresa com 56% das ações, receberá a sua parte proporcional e um prêmio pela venda do comando da companhia. Segundo fontes ligadas ao negócio, esse valor pode chegar perto de R$ 800 milhões.

Após a compra, será criada uma nova holding para controlar a Braskem. Com a injeção de capital que será feita pela Petrobrás e pela Odebrecht, haverá uma mudança nas participações acionárias entre os dois grupos e na influência de cada um nas decisões estratégicas.

Hoje, a Braskem é controlada pela Odebrecht, com 46,8% do capital com direito a voto - além de 15,6% da Norquisa, empresa que também pertence à Odebrecht. A Petrobrás é acionista minoritária relevante, com 31% do capital votante.

Depois da aquisição e da injeção de capital, a Odebrecht continuará sendo majoritária na Quattor, provavelmente com 51% de participação. Já a Petrobrás terá cerca de 49% das ações com direito a voto.

A tomada de decisões no Conselho de Administração da Braskem vai mudar. Hoje, a Petrobrás tem três dos 11 assentos do Conselho, o que dá maioria folgada para a Odebrecht.

A partir de agora, as decisões estratégicas serão tomadas por unanimidade, segundo fontes ligadas ao negócio. A Odebrecht continuará tendo o direito de escolher o presidente da Braskem e de indicar os diretores. Segundo as mesmas fontes, a Petrobrás terá o direito de vetar o nome de diretores.

O aporte de recursos que virá após a incorporação da Quattor será mais vultoso do que o envolvido nos últimos grandes negócios no setor: a compra da Ipiranga por Braskem, Petrobrás e Ultra e a compra dos ativos petroquímicos do grupo Suzano pela Petrobrás e sua posterior associação com a Unipar, para a formação da Quattor.

Num setor caracterizado por alta produção e margem baixa de lucro, escala é fundamental. Com a incorporação da Quattor, a Braskem, que hoje fatura R$ 23 bilhões, terá uma receita líquida extra de R$ 7,4 bilhões, segundo dados divulgados pela Quattor. Hoje, a Braskem já é a maior empresa petroquímica da América Latina.

A nova empresa será apresentada ao mercado com um discurso parecido com o ouvido em outras megafusões. Os sócios e o governo já argumentam que é preciso criar campeões nacionais para competir com os gigantes internacionais. E citam como exemplo a Reliance, maior empresa privada da Índia, com faturamento de US$ 28 bilhões por ano e negócios que vão do setor petroquímico à energia.

Além disso, os envolvidos estão se preparando para rebater as críticas ao avanço da Petrobrás no setor petroquímico. Até 1995, o setor era monopólio da Petrobrás. Mas, depois de uma série de privatizações, o controle foi dividido com empresas privadas. Nos últimos tempos, a Petrobrás voltou a avançar com a compra de empresas e, durante as negociações para a compra da Quattor, chegou a tentar comprar o controle da Braskem, segundo fontes ligadas ao setor.


NÚMEROS

R$ 30,4 bilhões
será o faturamento combinado das duas empresas

15,6 milhões
de toneladas de produtos petroquímicos será a capacidade de produção da nova empresa

6,6 mil
empregados terá a companhia surgida com a fusão


Fonte: estadao.com.br


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