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20/05/2010

BC diz que Brasil cresceu 9,85% no primeiro trimestre

Taxa fica perto dos níveis da economia da China, que avançou 11,9% entre janeiro e março

A economia brasileira cresceu perto de 10% no primeiro trimestre deste ano. O dado, que faz parte de uma nova pesquisa divulgada pelo BC (Banco Central), mostra um avanço de 9,85% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país) sobre igual período de 2009.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) ficou acima do que a maioria dos analistas de mercado e o Ministério da Fazenda estão projetando para o período (cerca de 8%), além de apontar para taxas de crescimento parecidos com o da China (11,9% ao ao no primeiro trimestre).

Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o IBC-Br teve expansão de 2,38% (que significa, em termos anualizados, crescimento próximo de 10%). O dado reforça a análise que a economia brasileira se encontra em ritmo muito forte neste início de ano e é necessário pôr um freio no nível de atividade.

O IBC-BR é um indicador criado pelo BC para tentar antecipar o resultado do PIB e é a mais recente ferramenta usada pelo Banco Central para ajudar na definição da taxa básica de juros (Selic, em 9,5% ao ano).

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulga oficialmente o PIB, só anunciará o resultado do primeiro trimestre no dia 8 de junho. Com periodicidade mensal, o IBC-Br leva em conta estatísticas sobre agropecuária, indústria e serviços.

Alta dos juros

O resultado forte do indicador verificado no primeiro trimestre ajuda a entender por que Henrique Meirelles e sua equipe foram unânimes em aumentar em 0,75 ponto percentual os juros na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC. Na ocasião, o BC interrompeu uma série de cortes na Selic, que chegou ao mínimo histórico de 8,75% ao ano.

É por esse motivo que se espera mais aumentos na taxa de juros nas próximas reuniões do Copom.

Ao elevar o juro básico, a autoridade monetária tenta conter um surto da economia, de modo que ela não permaneça crescendo acima de sua capacidade por muito tempo. Afinal, essa situação provoca risco de alta forte na inflação, além de piorar os débitos nas contas externas do país - já que a economia não tem capacidade de atender toda a demanda interna e precisa importar produtos e serviços para supri-la.

O economista-chefe do banco Schain, Silvio Campos Neto, afirmou que o dado do BC reforça a preocupação em torno do nível de crescimento econômico e seu impacto na inflação ou no déficit externo.

- De fato, o indicador mostra um crescimento bem forte, acima do que todo mundo entende que o país pode sustentar no longo prazo.

Ele diz que os dados do primeiro trimestre ainda ocorrem sobre um ano marcado pela crise internacional, ou seja, sobre uma base mais fraca, especialmente a do primeiro trimestre de 2009.

Ele ressaltou, no entanto, que a tendência da economia é de desaceleração nos próximos trimestres, refletindo as melhores bases de comparação e as ações do Banco Central e do Ministério da Fazenda de apertar a política fiscal. Nesse sentido, Campos Neto defendeu um aumento ainda maior da austeridade nos gastos do governo para ajudar a conter a economia.


Fonte: R7


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