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23/11/2007

Álcool brasileiro tem potencial interno, mas não para exportação

O etanol tem excelentes projeções de consumo no mercado interno brasileiro, que garantem sua expansão, mas não deverá ser representativo e alcançar o sucesso tão esperado nas exportações. Esta é a síntese da opinião do economista e ex-ministro da Fazenda e da Agricultura, Antônio Delfim Netto, que ontem esteve em Campo Grande ministrando a palestra "Produção de energias renováveis: enfoque econômico", durante a Feira de Negócios Rurais que termina hoje no Pavilhão Albano Franco. O evento é promovido pelo Sebrae/MS.

Para Delfim, o Brasil assumiu uma posição privilegiada na produção de energias renováveis, principalmente no que se refere aos biocombustíveis e, mais especificamente, ao etanol, mas a expansão do combustível tem potencial apenas interno e não no exterior, uma vez que diversas nações também correm para desenvolver alternativas de combustíveis viáveis em busca de autonomia energética. "Todos os países estão ampliando a utilização de álcool misturado à gasolina. O problema é que cada nação utilizará o próprio álcool que produzir. É um pouco de sonho imaginar que o Brasil se tornará um grande exportador de etanol", disse.

Com o incremento nas pesquisas e investimentos dos países europeus e também dos Estados Unidos, Delfim estima que em poucos anos todos os países possam produzir álcool a partir de diversos produtos, sem a necessidade – muito alardeada recentemente – de importar etanol do Brasil. Somente nos dois últimos meses, revela Delfim, os EUA investiram US$ 500 milhões em três universidades para pesquisas de um processo de hidrólise enzimática que ainda não é economicamente viável, mas já consegue produzir três vezes mais etanol por hectare. "Não podemos confiar que eles não descubram, em breve, tecnologias para fazer álcool de formas alternativas tão viáveis como a cana".

Hoje, quase 5% do consumo mundial de gasolina são supridos por etanol e este percentual é crescente, sendo que a atual produção mundial é de 60 bilhões de litros e deve chegar a 120 bilhões de litros nos próximos cinco anos. Delfim acredita em que o Brasil continuará acompanhando este processo de expansão, mas perderá representatividade no segmento. "Hoje, o Brasil produz 35% do etanol mundial, mas a estimativa é que esta participação caia para 24% em 2015. Os EUA respondem hoje por 37% do etanol mundial e devem alcançar 43% em 2015", acrescentou.

Segundo o ex-ministro, é importante compreender que os EUA estão envolvidos em um processo gigantesco de expansão do etanol, com possibilidade de atingir, sozinhos, produção de 108 bilhões de litros até 2015. Ou seja, os EUA realmente decidiram reduzir sua dependência de suprimentos externos de energia e, portanto, vão expandir fortemente sua produção. "Por isso, eu imagino que é sonho imaginar que seremos grandes exportadores de etanol", justifica-se.


Fonte: ABTC


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